quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Sistema Endócrino: Hormônios Gonadotróficos

O hipotálamo produz GnRH, que estimula a adeno-hipófise a liberar LH e FSH que, por sua vez, agirão sobre as gônadas, estimulando a produção de testosterona, estrógeno eprogesterona. No homem, essa secreção é praticamente estável, com poucas flutuações. Na mulher, a secreção de LH e FSH é pulsátil.


Mulher

O aumento de LH e FSH é o estímulo para a maturação folicular. O folículo, em processo de amadurecimento, passa a secretar estrógeno, o qual prepara o útero para receber o embrião, provocando espessamento da parede do endométrio, aumento da irrigação sanguínea e da produção de muco.

Quando o folículo rompe, o nível de estrógeno cai e, como ele tem efeito inibitório sobre a secreção de LH e FSH, esses hormônios têm um pico, provocando a liberação do óvulo de 16 a 24 horas depois. Forma-se, então, o corpo lúteo, que começa a secretar progesterona.

Se houver fecundação, os níveis de estrógeno e de progesterona seguem aumentando, inibindo o eixo hipotálamo-hipófise ao longo da gestação. Assim, nesse período, o LH e o FSH se mantêm baixos, e a mulher se torna anovulatória.

Caso não haja fecundação, o óvulo entra em involução em até 72 horas. A progesterona e o estrógeno começam a cair e o estímulo para manutenção da parede do endométrio cessa, provocando sua descamação, caracterizando a menstruação. Então, o LH e o FSH, que estavam baixos, começam a subir novamente, iniciando um novo ciclo.Exercício em intensidades normais, praticados por não-atletas, não afetam o ciclo hormonal feminino. Já atletas que praticam treinos de alto volume e intensidade, geralmente, possuembaixo percentual de gordura corporal, diminuindo a oferta de colesterol. Com isso, há déficit de hormônios esteroides, como o estrógeno e a progesterona, já que são sintetizados a partir do colesterol. Com a ausência desses hormônios, o ciclo menstrual não ocorrerá normalmente, tornando a mulher amenorreica.

Caso a atleta seja praticante do exercício desde a infância, a primeira menstruação – menarca – não ocorrerá, devido aos baixos níveis de progesterona e estrógeno. Como consequência, essa menina pode não iniciar o estirão puberal, mantendo baixa estrutura e proporções corporais mais harmônicas, já que os esteroides gonadais, associados à secreção normal de GH, induzem ao grande crescimento na adolescência.

O estrógeno também estimula a deposição de cálcio nos ossos. Dessa forma, pacientes amenorreicas, que possuem pouca produção de hormônios esteroides, têm mais chances de desenvolver de osteopenia e osteoporose – e subsequentes fraturas por queda ou estresse.

Homem

Testosterona: estimula a síntese proteica e o ganho de massa muscular. Em relação ao exercício, quanto maior for a intensidade, maior será a síntese desse hormônio.

Interação entre rotas metabólicas

Dependendo do tempo de duração da atividade física, na intensidade relativa máxima, muda-se a rota metabólica principal do organismo. Até aproximadamente 20 segundos, a rota principal é a da creatina fosfato, tendo também contribuição importante da glicólise anaeróbia e, menos substancialmente, das rotas aeróbias. Em atividades mais prolongadas, em torno de 3 minutos, sistema de creatina fosfato perde importância, tendo uma predominância do metabolismo glicolítico, seguido do sistema aeróbio. Em maiores durações de exercício, o metabolismo aeróbio se torna a principal fonte de energia.
Tal mensuração, normalmente, é utilizada para direcionar o treino de atletas, mas também é importante para identificar a rota metabólica predominante na prática de exercícios por indivíduos normais.


Consumo de Oxigênio

O consumo de O2 diz respeito à capacidade aeróbia do indivíduo e é calculado pela seguinte fórmula:
VO2 = Q. d a-v O2

VO2: consumo máximo de oxigênio, medido em ml.min-1.
Q: débito cardíaco, que é o produto da freqüência cardíaca e o volume sistólico. Aumenta durante a prática de exercício.
Diferença a-v de O2: diferença arteriovenosa de O2. O conteúdo arterial é uma variável respiratória e não muda durante o exercício. Já o conteúdo venoso é uma variável metabólica e diminui durante o exercício.

O consumo de O2, para um indivíduo em repouso, é igual a 1 MET, que corresponde a 3,5 ml.

- VO2 pico: consumo máximo de O2. 
- VO2 máximo: é o platô, que pode se formar se a carga de trabalho for mantida por certo tempo.
Se o exercício for interrompido no VO2 pico, há a possibilidade de que o VO2 máximo seja atingido no mesmo nível do VO2 pico, ou acima dele.

Diferenças entre consumo de VO2 máximo para diferentes indivíduos:

O tipo de ação muscular e predisposição genética definem o consumo de O2 em diferentes atividades esportivas. O treinamento físico tem a capacidade de aumentar o consumo máximo de um indivíduo em, aproximadamente, 20%. Porém, a maior expressão desse consumo vem a partir da carga genética. O maior VO2 máximo está presente em atletas de ski cross-country, pelo fato de se haver um intenso trabalho de membros inferiores, de membros superiores e de tronco.

Diminuição de VO2 com o envelhecimento:

Em torno dos 20 anos de idade, atinge-se o ápice do  VO2 máximo e, dependendo dos exercícios físicos praticados, pode ser mantido até os 30 anos. A partir daí, há uma diminuição gradativa de VO2, com uma taxa de, aproximadamente, 7ml.kg-1.min-1 por década, devido ao processo de sarcopenia – perda progressiva de massa muscular. Por isso, recomenda-se que idosos realizem treinamento de força e aeróbio, para recuperação de massa muscular e manutenção do VO2 máximo.

Zonas de treinamento

- Intensidade sub-aeróbia: antes do primeiro limiar, a intensidade é insuficiente para induzir adaptação. Para gerar fenômeno adaptativo, é preciso estressar o sistema, trabalhando-se acima do primeiro limiar de lactato.
- Estresse aeróbio extensivo: corresponde a intensidades acima do primeiro limiar, constituindo um exercício aeróbio de baixa intensidade e longa duração. Induz adaptações musculares, como aumento da densidade mitocondrial, da atividade enzimática oxidativa e da capilarização, melhorando o metabolismo do músculo esquelético.
- Estresse aeróbio intensivo: corresponde a intensidades próximas ao segundo limiar. Provoca adaptações cardiovasculares, diminuindo a frequência cardíaca e aumentando a capacidade vasodilatadora.
- Treinamento anaeróbio: são intensidades maiores do que o segundo limiar. Induz aumento da massa muscular, tolerância à acidose, resistência à intensidade e aumento das reservas tamponantes musculares.


Quanto melhor a condição física do indivíduo, mais a curva é deslocada para a direita. Intensidades diferentes representam condições distintas entre os sujeitos, de acordo com a zona de treinamento em que se encontram.

Lactacidemia

Concentração de lactato durante um teste de carga progressiva:

O gráfico acima apresenta curvas de concentração, produção e metabolização de lactato:


A concentração se mantém constante no início do teste, com baixa carga de trabalho, pois taxas de produção e de metabolização aumentam na mesma proporção. A partir de determinada carga, correspondente ao primeiro limiar de lactato, a concentração começa a subir e, em uma carga mais alta, relativa ao segundo limiar, a concentração aumenta com mais velocidade.


A produção aumenta desde o início do teste e, a partir do primeiro limiar, passa a aumentar em maior proporção, pois os MCTs – que transportam piruvato para dentro da mitocôndria – estão saturados. Assim, a concentração de lactato aumenta no citoplasma.


A metabolização aumenta até o segundo limiar; depois a capacidade de remoção de lactato do sistema atinge seu máximo, assim como o VO2 e, consequentemente, a capacidade de oxidação de lactato – sua principal forma de metabolização (70%).

Diabetes


Diabetes tipo I: caracteriza-se pela não produção de insulina e desenvolve-se nos primeiros anos de vida pela destruição das células Beta-pancreáticas (produtoras de insulina), por um mecanismo auto-imune. Na doença, não existe a cascata de sinalização gerada pela insulina, diminuindo a quantidade de GLUT-4 na membrana celular e a captação de glicose. O tratamento é realizado com injeções subcutâneas de insulina.


Diabetes tipo II: surge na maturidade e é associada à obesidade, que aumenta o conteúdo de triglicerídeo intramuscular e de ceramidas. Estes interferem na sinalização da insulina, principalmente ao nível da AKT, fazendo com que o indivíduo desenvolva resistência ao hormônio. O tratamento é feito pela ingestão de hipoglicemiante oral, que sensibiliza os receptores de insulina. Esses pacientes são hiperinsulinêmicos, o que, em alguns casos, exaure o pâncreas e os tornam insulino-dependentes. Normalmente, os portadores da doença são hipertensos, pois a relação da insulina com a atividade simpática provoca o aumento de adrenalina e noradrenalina, que aumentam a freqüência cardíaca e a pressão arterial. A união dos fatores hiperglicemia, hiperinsulinemia, hipertensão e obesidade constituem a síndrome metabólica.

Glicemia

A glicemia é a concentração de glicose no sangue, e seu valor de referência em jejum é de 100mg/dl. a hipoglicemia não tem valor numérico definido, e é caracterizada por cansaço, tontura ou desfalecimento. Já a hiperglicemia é caracterizada por glicemia acima de 100mg/dl após 10 a 12 horas de jejum.

Para o diagnóstico de pré- diabetes e para avaliar a evolução da doença, leva-se em conta. além da glicemia,a hemoglobina glicada (HbA1C), que dá o valor médio da concentração de glicose no sangue para os últimos três meses. O valor de referência é 4,5%e é o marcador mais moderno para risco diabético.

A ligação da insulina com seu receptor ativa os IRS (substrato do receptor de insulina), proteínas que ao serem fosforiladas ativam uma sequência de proteínas, entre elas a AKT, que ativa vesículas intracelulares que contêm proteínas denominadas GLUTs. Essas vesículas realizam translocação: a membrana vesicular se funde na plasmática, exteriorizando o GLUT-4, encontrados em células musculares e adiposas, que transportam glicose para dentro da célula.